GRÃO DE MALÍCIA

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Miramar, Norte, Portugal
GRÃO DE MALÍCIA … poemas escritos de desejos e divagações... onde está a poetisa... que vai escrever os poemas memórias de sentidos tidos… onde está a poetisa...que escreve poemas, nua ao pé da cama, que os interrompe para beber inspiração? … sou apenas quem está mesmo por detrás de ti... com a boca colada ao teu ouvido, segredando-te pequenas coisas que tu sentes...de olhos fechados. ana barbara sanantonio

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DESOBEDIENTE

DESOBEDIENTE

Geme
Escura a íris do olhar
Trémula a boca cerrada
A face brilhante e afogueada
A língua o leme
A salivar

Gourmet o teu corpo despido
A pele a latejar
Intimidade e sentido
Beijos como tempero
Acalmar o desespero
Líquido tesão
Luminosidade desejo
E o astro da tua mão
A percorrer de espasmos
Saudade dos teus orgasmos
Pernas a estremecer
Sexos de urgência
Íntima carência
Loucura prazer
Sentir poesia
Gemer

Inebriante fantasia
Olhos por devorar
Húmidos excitados
A pele macia
Ainda a ofegar
Dedos molhados
E a cama fria

Do gélido calor
Inevitável
Dos corpos cansados
A boca a bailar
Insaciável desobediente
Gulosa e quente
Do doido amor
Treme a beijar
Geme
...
musa

MORRER-TE


MORRER-TE

Para onde vou
Não sei
Se o que sinto
Ou se te consinto
Se fará sentido algum
Este desabafo sentir
E todo o meu corpo a ruir
Os vagos alicerces um a um
Todos os estragos a cair
Dos rasgos que sentir-te consentirei
Dos afagos e ausências
Dos limites e das ciências
Dos fogos e das cinzas apagadas
Do que sempre acreditei
Aí nesse lugar
Entre as searas incendiadas
Os madrigais que ainda são poemas
Versos sentimentos luminosidade
Ou apenas uma lágrima do olhar
As poucas coisas serenas
A um passo de deixar
Testamento cumplicidade
A incerta certeza de coisa alguma
Levar-te-ei à eternidade
As palavras essas ilusões
Deixarei uma a uma
Doces segredos de paixões
E saudade
...
musa

OFEGAR

OFEGAR

Florescem silêncios tatuados
Os riscos esquecem
Caminhos de loucura
Desvanecem as mãos inquietas
Crescem as meiguice secretas
Onde se tecem fio a fio a ternura
Descem passo a passo
Na embriaguez de doçura
Fenecem os beijos
Em desassossego de desejos
Endurecem na intimidade
Caminhos de excitação
Enfurecem a saudade
No delito da paixão
Segredos na carnalidade
Do torpor de prazer
Caminhos por aprender
Florido desabrochar
A flor a derreter
De humidade
E a ofegar
...
musa

ILUSÃO

ILUSÃO


Ainda é cedo
Ainda é cedo para esquecer
Ainda é cedo no memorial das lembranças
Feito de imagens adormecidas
De palavras ainda por escrever
Todo um historial de esperanças
Viagens no tempo esquecidas
Tristezas e temperanças
Afável querer


Rasgar os dias sem os viver
Das horas de espera sentidas
A emocional quimera da ilusão
Indivisível emoção
A matemática do sonho desfeito
E a bater tempestivamente no peito
O peso inquieto do coração
Instintivamente secreto
E o silêncio de o dizer


Para toda a eternidade
A evasiva saudade
A dor docilidade
No veludo da melancolia
As tuas mãos a tua boca e o teu olhar
Jamais o sentimento da poesia
Negará essa intimidade
Silenciando o sossegar
Da nossa cumplicidade
Separado um dia
musa

sábado, 23 de junho de 2018

MORRER DE AMOR

MORRER DE AMOR

Morro lentamente
E neste morrer o momento
Consolo inconfidente
Em tardio sentimento
Sofrimento ardente
Vã glória

Vaga lembrança
Líquida memória 
Esvaecimento
Tão de lágrimas tão tormento
Já sem réstia de esperança
Um suspiro um lamento
Em súplica que alcança
Entardecer do tempo
Quase regresso à infância
Quase sofrimento
Morrer de amor

Aquela hora de romper águas
Infâmia dor
Na contração o batimento
A soluçar súbitas mágoas
Uma dor emocional
Um cais de pedra no peito
Um choro de fino aço
A esvoaçar o pensamento
A morte gestacional
O delito perfeito
O dolente cansaço
O estremecimento
No olhar o silêncio divinal
Humedecido e petrificado
Na boca o riso em pecado
A morte bela e provocadora
Um rosto incendiado
Gélida cal
Uma luz em fogo lento
Fogueira que não finda
Das cinzas nunca o pó
A treva senhora
A bendita hora
A dúvida demora
A saudade só
Do morrer por dentro
Ainda
...
musa

terça-feira, 5 de junho de 2018

BEIJO

BEIJO

Este súbito silêncio
A derramar por entre a chuva
A memória do sentir
Nostalgia

Um ranger de porta entreaberta
Sombra melancolia
Uma lágrima no olhar
A intimidade segredo
A esvoaçar a borboleta
O grito e o medo
A explodir

Tudo o que não dissemos
Tudo o que deixamos por fazer
Tudo o que já esquecemos

Na memória ainda o beijo
A ilusão e o prazer
A última porta fechada
A boca beijada
De desejo
E querer
...
musa

FLOR DA VIDA

FLOR DA VIDA

Entardecia
A flor da vida
Florescia

Na sombra envaidecida
Do gozo do teu corpo
A mão macia
Faz sentir

A súplica entardecida
Na penumbra do olhar
A boca a suspirar
Desfalecia

Horas poros desflorados
A pele arrepiada
Oferecia
Aos olhos excitados
A língua assediada
Fogo acendido
Doce sentido

Essa fogueira de prazer
Ritual de sedução e loucura
Divinal altar de doçura
Oferenda em chamas a derreter
Lava incandescente
Descendente

Até ao grito de amor
Íntimo endoidecer
Surpreendente

Âmago torpor
Rubro entardecer
Nosso poente
...
musa

sábado, 19 de maio de 2018

DECLARO-TE

DECLARO-TE

Declaro-te um amor infinito
Em renovada primavera de sentir
A cada estação o mesmo existir
O tempo na laje de granito

Em juras de dócil eternidade
Resgatada de memórias de amor
Na mais profunda saudade
Em súplicas de delírio e clamor

Declaro-te a serenidade desmedida
A testemunhar o afecto e a ternura
No abraço em enlace desta vida

Para todavia a melancólica paixão
Ser quimera sombra luz ou loucura
Em declarada e justa comoção
musa

SENTIMENTO

ao JC

SENTIMENTO

Sensual o tempo
Delicada conjugação
Estende os verbos
Ao demorado prazer
Desperta o pensamento
Em ritual excitação
Húmidos vermelhos
A endoidecer
Memória das tuas mãos perdidas
Por devaneios interditos
Tímidos e secretos delitos
Em tardes de amor e vontade
A aventura das nossas vidas
No silêncio do desejo
A urgência de intimidade
Oração de sentidos
Da boca o beijo
A cumplicidade
Tantos os gemidos
A doce loucura
O gozo repetido
Ainda perdura
Apetecido
...
musa

terça-feira, 15 de maio de 2018

MEMÓRIAS ÍNTIMAS

MEMÓRIAS ÍNTIMAS


A tarde
É uma rosa entreaberta
Num leito de pétalas caídas
Chama que ainda arde
Para além do entardecer
A cama íntima secreta
Das horas perdidas
No mais louco prazer


Profundo desejo
Manso estremecer
Húmido a impregnar
Odor do olhar
A querer


Bailado de mãos unidas
A rasgar sentidos
Quase a desflorescer
Todo roseiral
Duas bocas esmaecidas
Num crepúsculo carnal
Dois corpos vencidos
Em íntimo vendaval
musa

quinta-feira, 19 de abril de 2018

"DOIS AMANTES, O MUNDO - dueto com...

Dueto com...

"Dois Amantes, o Mundo

dois amantes, o mundo
cada um no seu reino, beijam-se nas praias
quando as ondas batem as areias

o mar é o meu navio,
hoje naufrago feliz

sabes quem sou, as dunas
que se levantam com o vento são
os sonhos do amor que dormita
em sossego nas praias

a terra és tu o mar sou eu "

Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"  

Dois amantes
Duas terras por cumprir
Marés seifadas pelo vento
Dois cais distantes
Um único sentir
Duas espadas um corte lento
Um castelo sem ameias
Um sentimento sem existir
Águas de revolvidas areias
Lamento de sereias
Prece ou canto
Riso a ferir
Reino de beijos e o mundo
Naufrágio pranto profundo
De meigos e húmidos abraços
E bocas vagas em desejo
Marés vivas de vontade
Em vendavais intimidade
Na imensidão de um beijo
Um mar de punhais de prazer
E a excitação do amor
O sal doce do sabor
De tanto querer
...
musa

REENCARNAÇÃO

REENCARNAÇÃO

Quantas vidas
Serão precisas
E as nossas vidas serão uma só
Quanto desta espera
A água a enrolar as pedras lisas
O sal e o pó
Este meigo confronto
O íntimo encontro
E aqui andamos
Na procura da quimera
Do beijo ao desejo e ao prazer
De abraços desgastamos
Medo e saudade
Morrer para viver
A súbita urgência de eternidade
Rios vagas de loucura
Quando no teu corpo entorpecido
Gozo oferecido ternura
Sou turbulência de águas tão carnais
E a alma entoa o gemido
Ânsia de ressuscitar
Há um mapa de sentidos no teu olhar
Pontos cardeais
Desorientado perdido
A onda a naufragar
Em profundidade
Euforia
Outras vidas serei sim
Esta certeza enfim
Calmaria
Serenidade
...
musa