GRÃO DE MALÍCIA

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Miramar, Norte, Portugal
GRÃO DE MALÍCIA … poemas escritos de desejos e divagações... onde está a poetisa... que vai escrever os poemas memórias de sentidos tidos… onde está a poetisa...que escreve poemas, nua ao pé da cama, que os interrompe para beber inspiração? … sou apenas quem está mesmo por detrás de ti... com a boca colada ao teu ouvido, segredando-te pequenas coisas que tu sentes...de olhos fechados. ana barbara sanantonio

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

OUTUBRO AMANTE

OUTUBRO AMANTE

A mensagem chegou, fria e exausta, como um corpo moído e um espírito vazio, na torturante existência de sentir.
Talvez um adeus há muito esperado, arrastado pela ausência de coragem em não ter dito toda a verdade, e omitido uma vida que não sabia viver.
Ou as palavras o atravessassem lanças de confissão em busca de compreensiva ternura e a esperança do acontecer.
Chegaram num bilhete electrónico, tão verdadeiras quanto leais, - "Não consigo escrever nem uma frase.
Pairo nos dias e sinto-me longe de todos. Sobretudo dos sentimentos.
Vivo e não reflito, não sei se isso é vida, talvez seja.
Penso ao contrário de todos. Sou um dissidente dos dissidentes. Sofro
de um egoísmo materialista e estéril, e tenho a paga correspondente,
nada.
Restam-me os sentidos, por vagas, nem sempre confessáveis.
Sou um solitário e nem sempre sem sofrer. Não tenho amigos, os antigos
afastaram-se, no espaço ou na amizade.
Nem triste consigo estar, eu que achava a tristeza tão bela às vezes.
Admiro os que têm amigos, os que partilham afectos, os que sofrem e
são sensíveis, os que falam e fazem bem com as palavras. Porque eu não
tenho nenhuma dessas artes. Sou sensivel, mas não consigo ser. Preciso
dos outros, mas não consigos tê-los, por falta de jeito, por falta de
altruismo, por falta de palavras, e tantas vezes, oh culpa, por falta
de paciência.
O mundo, que eu acho belo e grandioso, passa lá fora sem que eu
consiga vê-lo. E quando o procuro acho-o quase sempre ruidoso, fecho
as janelas.
Dói-me muitas vezes as cabeça, tomo analgésicos. Trabalho muito, mas
só em tarefas rotineiras porque são fáceis. E depois fico sem tempo,
parece que às vezes não quero ter tempo.
Peço-te desculpa pelo silêncio e por promessas que, não o sendo no
momento, se revelaram falsas. Agradeço-te que continues aí, onde quer
que estejas, e sinto-me um ladrão que se rouba o direito de te
escrever só quando muito bem lhe apetece, para dizer frases que talvez
nem eu entenda, e depois te deixa no silêncio, que é a mais vil e
cruel das respostas. Agradeço tanta generosidade que não mereço. Não
sei se te é aceitável uma vaga esperança de não sei o quê. Compreendo
que não seja.
Seria preferível não ter conseguido escrever nem uma frase?".
O tempo encarregou-se de contrariar todo o argumento do discurso de silêncio esquecido, por momentos houve palavras, olhares, afagos, prazer, abraços, ternura, e o mundo quase paráva, na envolvente penumbra dos secretos encontros das terças-feiras. Entre quatro paredes todo o silêncio fazia sentido, as horas paravam no relógio digital, os dados móveis eram desligados,  as palavras eram mínimas, justificavam a saudade com beijos.
Um dia perguntou-lhe porque estava ali.
Atreveu-se adivinhar paixão, amor, amizade, ou somente o gozo de sentir.
Lembrou-lhe um outro bilhete sem data, que guardou no fundo da alma às escuras, para um dia o ver brilhar dentro dos seus olhos de amante. Foi tão profundo que soube bem esperar, - " Quero abraçar-te e conhecer o tamanho do nosso desejo.
Quero que o tempo que passou não conte e quero conseguir que o tempo
páre em nós o tempo de amar-nos sem idade nem destino, quero
encontrar-te no profundo de nós mesmo, sem tempo e sem medida.
Não me importo da espera quando sei que o porto é certo, permito-me
mesmo fruir a antecipação do fruir, esse é tão breve quanto esta tem
sido longa.
Quero ter-te e que me tenhas, e o tempo não contará, só a intensidade
do presente.
Quero beijar-te os lábios que apenas aflorei, que nesse apenas já
senti a doçura do desejo."
Era gratidão a mais, e o ténue fio da memória haveria de quebrar quando o cansaço da rotina tomasse conta do lugar, porque tudo tem um fim.
Era só um desejo torpe, sem grande significado, sem muitos Outubros a repetir, ou a lembrança a guardar da secreta vontade feita acontecer.
Outubro tinha o sabor mágico da espera, carregado de silêncio cumprido, a promessa feita sem cobranças, com segredo digital, sem vestígios de culpa, sem validade, ainda hoje espera com a verdadeira identidade, as palavras que não são minhas, -"Quero-te em Outubro. Uma tarde só nossa. Para libertar toda a
sensualidade, mais do que em palavras, em toques, no contacto das nossas
peles macias, até à profundidade dos nossos corpos, toda a exaustão, sem pensar em mais
nada que sorver-nos com sofreguidão consentida e grata. Quero-te uma
tarde, na intimidade de um quarto, só nós dois, sem barreiras, só
dando e recebendo como quem recebe dando. Quero o teu corpo, a certeza
dos nossos corpos. Beijar-te, abraçar-te, percorrer-te a pele,
partilhar o prazer dentro de ti. Beijar-te e beijar-te e beijar-te...".
Outubro tem o mel do desassossego que persiste, do silêncio espiritual que comunica além de todo entendimento, ao cair da folha traz consigo a certeza de que é só uma estação a renovar a promessa de vida, a antecipar o adormecimento das memórias, o fortuito encontro de tantas terças-feiras a morrer pela tarde a lei inevitável da atração entre dois seres.
Ainda podem achar que a palavra certa para este silêncio de sentidos, seja amantes, ou Outubro tenha conhecido uma palavra nova, consentida de paixão silenciada.
...
musa
https://youtu.be/gSYhCbLS4Ik

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

AMO-TE EM SILÊNCIO

falam por aí do amor...

AMO TE EM SILÊNCIO

Os ventos e os silêncios
E as folhas caídas neste tempo outonal
E os versos sem rima
E esta memória tão carnal
E as árvores já despidas
A brisa a obra-prima
Das sombras esculpidas
Silente utopia
A ventania que esgrima
Silêncio em poesia
Amor em melancolia
E as memórias quase esquecidas
A paixão gutural
Pelo outono agonia
As lágrimas perdidas
No temporal
Euforia
...
musa

https://youtu.be/1OA3eggfpkA

AO JC

ao JC

Os olhos humedecidos
Pela neblina memória
Têm nos versos sentidos
A mais doce história
A névoa mansa da tarde
O mais doido entardecer
O fogo da paixão que arde
Em gozo na cama de prazer
O poema que tortura
Na penumbra dos gemidos
Em murmúrios de ternura
Tão entregues e tão rendidos
Ao amor e à doçura
Na cumplicidade do leito
Ainda a ofegar no peito
A lembrança da loucura
E mesmo que distantes
Eternamente amantes
Em discreto pensamento
A recordação perdura
No tempo

https://youtu.be/o1DDCTlVYNM
...
musa

sábado, 29 de setembro de 2018

DESEJO DORMENTE

DESEJO DORMENTE

O tempo
porquanto o silêncio ausente
De suor a pele a estremecer
desejo dormente
Memória de orgasmos
Humida e quente
Loucos espasmos
De prazer

Explosão de beijos
De abraços a ternura entrelaçada
De bem querer
De sedução
Em meiga loucura partilhada
Doce excitação
O corpo as mãos o olhar
Os lábios o regaço
A devassidão
O cansaço
E a embalar
Essa vontade

Tão desejosa de intimidade
Em todos os tempos do verbo amar
Para matar toda a saudade
musa

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

SILENCIA SEGREDOS DE SENTIR

SILENCIA SEGREDOS DE SENTIR

Confio-te as brisas e os ventos
Nos olhos enfeitiçados de prazer
Todos os verbos e todos os tempos
Em conjugado querer

Do pretérito mais que perfeito
Que os teus olhos possam sorrir
A vontade que explode no peito
Silencia segredos de sentir

No gerúndio da boca aos dedos
Em cumplicidade excitação
A sussurrar-te segredos
De intima sedução
musa

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

SETEMBRO... SIM

https://youtu.be/RSnHoynH-4o

SETEMBRO, SIM

Talvez Setembro…
Seja o mês de resgatarmos, aos sonhos, as ilusões..
O calor do verão será então apenas uma memória à flor da pele…
E será bom sentir a luz dos teus olhos iluminando os meus,
E a água cristalina da tua voz a escorrer-me pela garganta…
Talvez Setembro…
Seja um bom mês para aflorar com os meus lábios os teus...
E refrescar, finalmente, a minha alma sedenta e seca
De um verão árido de abraços, vazio de tudo…
Talvez Setembro…
Porque há um tesouro esquecido,
Que nos relembra que estamos vivos,
...E é um mês repleto de bonitas canções…

"...C´est en septembre
Que l'on peut vivre pour de vrai…"

Beijo-te

Ant.”

Setembro esmaecido de memórias
Tonalidades de sonhos desmaiados
De tons quentes e adocicados
Crepúsculos de meigas histórias
E dias pelos dedos contados

E a certeza do que vai acontecer
Olhares tímidos envergonhados
Como se esse súbito entardecer
Abrisse em flor doidos pecados

E na aridez de abraços e lábios sedentos
A ternura e os beijos guardados
A acalmar cansaços e sentimentos
E a doçura de silêncios intimidados
musa


terça-feira, 14 de agosto de 2018

PROVOCAÇÕES

PROVOCAÇÕES


“Provocas-me

Uma ambiguidade de emoções

Um travo agridoce

Palavras que me repletam

E ao mesmo tempo me magoam…

Poemas onde revejo tanto do que (não) nos aconteceu,

E onde vislumbro o que perdi. O que perdemos, ou deixamos passar… por nós…

E a visão disso tudo que não vivemos,

Desse tesouro que não quisemos encontrar,

Magoa-me o olhar nostálgico, tanto o brilho imaginado…

E fico assim, nesta dor doce e amarga,

Perdido entre o que nunca se cumpriu,

E o que ainda pode acontecer…

Beijo-te… sempre!

Ant.”



Cálidos os silêncios ambíguos e emotivos
De um travo agridoce provocador
De palavras com que me enches de sentidos
Mágoas de um tempo de prazer sem amor
Em silenciada poesia imaginada
A triste provocação
De quem espera nada
E vive de ilusão


O olhar e a nostalgia
O entardecer e a madrugada
O crepúsculo madrugador
O silêncio perturbador
A súbita melancolia
Da doce dor amargada
Em vislumbrada fantasia


Perdemos o que nunca cumprimos
Tanto que quiséramos e sentíamos
E que ainda pode acontecer um dia
Prometemos talvez encontrar
Um tesouro esquecido
Ou talvez perdido
Ou quem sabe provocar
Um desejo dividido
Louca poesia
musa

terça-feira, 31 de julho de 2018

MEMÓRIAS DISTANTES

 MEMÓRIAS DISTANTES

Esse martírio de mel
A ser só uma lembrança
O desejo do teu corpo
Caos e cais em fogosa pele
A crescer mais e mais
A sombra que entrança
De carícias o amor bruto silêncio  
Na penumbra apaziguada de palavras
Em versos por escrever
E a louca tentação dos verbos
Nos modos e tempos de prazer
A fazer sentido pelas tuas mãos
Sempre no momento mais incendiário
Que o fogo lento do teu olhar
Mansidão excitada
Acende húmida chama
Ilícita vontade afogueada
A deixar de palavras o diário
Confissões a escaldar
A intimidade do profundo gozo
O delito e a transgressão
A cumplicidade de excitação
O jogo poderoso
Dos secretos amantes
Num poema indecoroso
Em memórias já distantes
...
musa

segunda-feira, 2 de julho de 2018

DESOBEDIENTE

DESOBEDIENTE

Geme
Escura a íris do olhar
Trémula a boca cerrada
A face brilhante e afogueada
A língua o leme
A salivar

Gourmet o teu corpo despido
A pele a latejar
Intimidade e sentido
Beijos como tempero
Acalmar o desespero
Líquido tesão
Luminosidade desejo
E o astro da tua mão
A percorrer de espasmos
Saudade dos teus orgasmos
Pernas a estremecer
Sexos de urgência
Íntima carência
Loucura prazer
Sentir poesia
Gemer

Inebriante fantasia
Olhos por devorar
Húmidos excitados
A pele macia
Ainda a ofegar
Dedos molhados
E a cama fria

Do gélido calor
Inevitável
Dos corpos cansados
A boca a bailar
Insaciável desobediente
Gulosa e quente
Do doido amor
Treme a beijar
Geme
...
musa

MORRER-TE


MORRER-TE

Para onde vou
Não sei
Se o que sinto
Ou se te consinto
Se fará sentido algum
Este desabafo sentir
E todo o meu corpo a ruir
Os vagos alicerces um a um
Todos os estragos a cair
Dos rasgos que sentir-te consentirei
Dos afagos e ausências
Dos limites e das ciências
Dos fogos e das cinzas apagadas
Do que sempre acreditei
Aí nesse lugar
Entre as searas incendiadas
Os madrigais que ainda são poemas
Versos sentimentos luminosidade
Ou apenas uma lágrima do olhar
As poucas coisas serenas
A um passo de deixar
Testamento cumplicidade
A incerta certeza de coisa alguma
Levar-te-ei à eternidade
As palavras essas ilusões
Deixarei uma a uma
Doces segredos de paixões
E saudade
...
musa

OFEGAR

OFEGAR

Florescem silêncios tatuados
Os riscos esquecem
Caminhos de loucura
Desvanecem as mãos inquietas
Crescem as meiguice secretas
Onde se tecem fio a fio a ternura
Descem passo a passo
Na embriaguez de doçura
Fenecem os beijos
Em desassossego de desejos
Endurecem na intimidade
Caminhos de excitação
Enfurecem a saudade
No delito da paixão
Segredos na carnalidade
Do torpor de prazer
Caminhos por aprender
Florido desabrochar
A flor a derreter
De humidade
E a ofegar
...
musa

ILUSÃO

ILUSÃO


Ainda é cedo
Ainda é cedo para esquecer
Ainda é cedo no memorial das lembranças
Feito de imagens adormecidas
De palavras ainda por escrever
Todo um historial de esperanças
Viagens no tempo esquecidas
Tristezas e temperanças
Afável querer


Rasgar os dias sem os viver
Das horas de espera sentidas
A emocional quimera da ilusão
Indivisível emoção
A matemática do sonho desfeito
E a bater tempestivamente no peito
O peso inquieto do coração
Instintivamente secreto
E o silêncio de o dizer


Para toda a eternidade
A evasiva saudade
A dor docilidade
No veludo da melancolia
As tuas mãos a tua boca e o teu olhar
Jamais o sentimento da poesia
Negará essa intimidade
Silenciando o sossegar
Da nossa cumplicidade
Separado um dia
musa

sábado, 23 de junho de 2018

MORRER DE AMOR

MORRER DE AMOR

Morro lentamente
E neste morrer o momento
Consolo inconfidente
Em tardio sentimento
Sofrimento ardente
Vã glória

Vaga lembrança
Líquida memória 
Esvaecimento
Tão de lágrimas tão tormento
Já sem réstia de esperança
Um suspiro um lamento
Em súplica que alcança
Entardecer do tempo
Quase regresso à infância
Quase sofrimento
Morrer de amor

Aquela hora de romper águas
Infâmia dor
Na contração o batimento
A soluçar súbitas mágoas
Uma dor emocional
Um cais de pedra no peito
Um choro de fino aço
A esvoaçar o pensamento
A morte gestacional
O delito perfeito
O dolente cansaço
O estremecimento
No olhar o silêncio divinal
Humedecido e petrificado
Na boca o riso em pecado
A morte bela e provocadora
Um rosto incendiado
Gélida cal
Uma luz em fogo lento
Fogueira que não finda
Das cinzas nunca o pó
A treva senhora
A bendita hora
A dúvida demora
A saudade só
Do morrer por dentro
Ainda
...
musa

terça-feira, 5 de junho de 2018

BEIJO

BEIJO

Este súbito silêncio
A derramar por entre a chuva
A memória do sentir
Nostalgia

Um ranger de porta entreaberta
Sombra melancolia
Uma lágrima no olhar
A intimidade segredo
A esvoaçar a borboleta
O grito e o medo
A explodir

Tudo o que não dissemos
Tudo o que deixamos por fazer
Tudo o que já esquecemos

Na memória ainda o beijo
A ilusão e o prazer
A última porta fechada
A boca beijada
De desejo
E querer
...
musa