GRÃO DE MALÍCIA

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Miramar, Norte, Portugal
GRÃO DE MALÍCIA … poemas escritos de desejos e divagações... onde está a poetisa... que vai escrever os poemas memórias de sentidos tidos… onde está a poetisa...que escreve poemas, nua ao pé da cama, que os interrompe para beber inspiração? … sou apenas quem está mesmo por detrás de ti... com a boca colada ao teu ouvido, segredando-te pequenas coisas que tu sentes...de olhos fechados. ana barbara sanantonio

terça-feira, 27 de maio de 2014

DA TRISTEZA DO POETA

Quem diz que os poetas não fodem
Ser felizes sem tristeza no olhar
Quem diz que eles não podem
Sorrir com olhos de chorar

Esta vida é uma foda triste
Vá se lá saber porquê
De toda esta melancolia que insiste
Foder-nos mesmo onde não se vê

Mas mesmos nesses instantes
De amor ou acto cumprido
Há nos olhos dos amantes
A volúpia do sentido

E dos corpos unidos o triste foder
A poesia investida de desejo
Dois seres desunidos em meigo prazer
Da vontade a ilusão desprendida de um beijo

Vida triste foda amarga
Horas vividas assim
A saudade é a paga
Do início até ao fim
...

musa

4 comentários:

Anónimo disse...

Essa palavra foder
é o verso mais proibido
mais querido.
É o verso que apaga todos os não sentidos
e até quase sempre os sentimentos.
Essa palavra foder
é o momento
em que não cabe alegria ou sofrimento.
É o momento sem antes nem depois
em que um somos dois
em dois somos um só.
O antes, pode ser lindo
o depois um acrescento passageiro
mas foder é o momento
sagrado de tão profano
por que irei até ti.
Quanta poesia se escreve
para que possa num momento de elegia
matar toda a poesia
e ser, ser só.
Mesmo o desejo, a volúptia
é um antes desse transe que se segue
a esse instante em que pedes: entra em mim
agora.
Quero estar pronto
quero chegar contigo a esse ponto
em que não há outra saída que entregar
os nossos corpos a nós
sem mais ninguém
quase sem nós.
Quero agora então entrar em ti
e entrar
e sair-entrar: foder
porque aí sim, seremos verdadeiros
nem poetas fingidores
nem dor nem nada
apenas fogo e fogo em escalada
apenas gozo e gozo
mais nada.
J.

MUSA RENASCENTISTA disse...

... saberei quem és... sinto-o...

a inspiração começou onde o vento lambeu a escadaria de bruma de mar...

ainda perdura na pele labial a maresia inventada verbo carnal que murmuraste num verso deixado no vento... a praia pequena ainda é a mesma mas tu... onde andas tu...

deambulas numa androgenesia poética à sombra das vagas vestida com saias de espuma... os teus olhos engelham os folhos que parecem dançar...

Anónimo disse...

Poesia é o sexo com o mundo.

A memória uma molécula de fidelidade duvidosa.

O sonho é um plano indefinido que nos engana e guia.

As minhas mãos uma promessa na tua pele.

E o tesão a coragem que nos assiste
na poesia
na memória
no sonho
e no que quisermos
se quisermos
os dois.

J.

MUSA RENASCENTISTA disse...

... faz todo sentido sonharmos...

... havemos de saber...

onde as borboletas esvoaçam as cocegas cegas do desconhecido sentir...